segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Adoecer" - Hélia Correia


Hélia Correia recebeu o prémio literário "Inês de Castro" (nem sabia deste prémio...) com o seu romance "Adoecer".

Li-o em Maio, na Graciosa. Li-o até ao fim. Achei muita graça ao facto da autora dar vida a personagens de quadros e seus autores. Entrava-se na alma de cada personagem que ela desenhava no seu romance, a partir de autores (pintores) e personagens conhecidos. Era estranho, porque, conhecendo determinados pintores e conhecendo determinados quadros com diversas personagens, poderíamos supôr que a sua ficção era realidade. Era como que se cada um de nós pudesse entrar na trama da estória, por conhecer pictóricamente alguns desses quadros. Estranho, muito estranho...
É pesado, o livro. E é pesado porque a melancolia e neura da personagem principal, nos incomoda do princípio ao fim. Como que se ela tivesse vindo ao mundo (ao livro) para nos perturbar com aquela bipolaridade. Chato!...mas divino o conceito deste desenho literário. Belíssimo livro, apesar de fazer "comichões" as atitudes da personagem principal e de seu amado(?).

Parabéns, Hélia Correia. Um modo diferente de desenho literário!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Deolinda - Parva que Sou, Coliseu do Porto. Assim damos a volta a isto!



"...que mundo tão parvo
que p'ra ser escravo
é preciso estudar..."

Como podem estes jovens pensar em filhos?
Desempregados? Com recibos verdes? Precariedade no trabalho? "Geração sem remuneração"...

Este é um país em vias de extinção. Gerações que não terão filhos, porque o país não lhes dá hipóteses, não lhes dá segurança, não lhes dá trabalho. Não sei, receio o fim deste país, destes países, desta Europa.

(A crise no Egito vai ter repercussões terríveis na Europa, já que todos dependemos do Médio-Oriente por causa do petróleo, cujo preço interfere em toda a nossa economia e por conseguinte nos nossos propósitos de cumprir os ditames da União Europeia. O desemprego, a incapacidade de produzir o que quer que seja, vai fazer dos países do Sul novos polos de ebulição social.
Não vai ser bonito...)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tó Zé - gato vadio

Alimentando gatos vadios, num quintal da ilha Graciosa.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ELOGIO AO AMOR - Miguel Esteves Cardoso in Expresso






Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.

Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.

Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

domingo, 23 de janeiro de 2011

...ao menos o AZUL!!!

Perdi a pachorra para estas eleições.
Apenas gostei, sabem de quê? Do AZUL do fato de Maria Cavaco Silva. Soberbo, aquele AZUL! Vibrante, aquele AZUL!...

...não ouvi nada do que ele disse. Só olhei aquele AZUL............

sábado, 15 de janeiro de 2011

O assassino de Nova York


Este miúdo!!!
Que se passará na cabeça deste miúdo?

Pois é, cresceu tendo a televisão como bíblia. Seus ídolos eram sempre sinónimo de sucesso. Foi à procura da fama num concurso televisivo. Descobriu novas gentes, com novas hipóteses de alcançar sucessos e famas. Entrou num jogo que não conhecia, julgando ter capacidades extras para poder jogar este jogo. Julgou-se o MAIOR!!!

Quando enfim ele percebeu que estava a hipotecar a sua vida afectiva, quis fugir, mas já estava de tal modo enredado que não lhe permitiram que isso acontecesse (eu também estrebucharia se o meu amado de repente me dissesse que era tudo mentira, mas... nunca mataria!).
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Agora este miúdo quer sair deste pesadelo. Ele quer acordar. Ele quer acordar e voltar para casa...
Mas nunca mais volta a casa. Nunca mais vai sair deste pesadelo, mesmo... tendo enfim alcançado a FAMA!!!