domingo, 11 de abril de 2010


"há quanto tempo foi a vida meu amor errante?
não choro mas apetece-me hoje essa lâmpada que fomos" - Isabel Fidalgo



Ah, como eu teria tanto para te sacar, mana Isabel, destes sentidos dizeres de desamores (?) Fundo-me com tanta palavra que é concreta simplesmente porque a li e em voz alta. E, voltando, nova palavra me assola e me estremece. Eu quero não me prender. Eu quero escapulir-me destas palavras sedentas de...mim?

sábado, 10 de abril de 2010

O Pico, hoje...




O Pico, hoje...vestiu-se de neve.
Choveu e clareou...

Está um frio incomum nesta época do ano... e a chuva teima em ir incomodando...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Rendas da ilha do Pico

Eu era pequena e muito curiosa ficava ao ver todos os fins de tarde, na minha freguesia natal, aquelas mulheres sentadas às soleiras das portas a fazer rendas alvas de neve.
Trabalhavam desalmadamente todo o dia, fazendo pão, indo aos matos ordenhar as vacas para trazer o leite para a venda, tratando dos trabalhos das terras e das casas...

...e à noitinha, antes da ceia, era-lhes exigido ou permitido (?) fazer estas lindas rendas. Como mãos maltratadas com canseiras de trabalhos, conseguiam tais maravilhas?





terça-feira, 6 de abril de 2010

Pesca - descarga

Após 5 dias de pesca...



domingo, 4 de abril de 2010

Concerto de Páscoa





Estou tristíssima...

Quis ficar num dos bancos da frente, na Igreja de S. Francisco, muito degradada, mas com uma acústica fantástica, para poder gravar momentos do concerto de Páscoa, dirigido por um tenor austríaco radicado aqui no Faial - Kurt Spanier.

Logo no início do concerto percebi que o cartão digital tinha pifado!!! Fiquei tão descoroçoada, que ninguém calcula.

No intervalo, disseram-me para tirar o cartão e utilizar a memória interna (pequeníssima) da máquina.

...e eis o pequeno pedaço dum grande e excelente concerto da HORTA CAMERATA!!!

segunda-feira, 29 de março de 2010

reencontros


De Sidónio Bettencourt


reencontros

não sei se te encontrarás algum dia e se me vires não digas palavra. saberei dizer-te no olhar o que me escondeste dos olhos e da voz calada sentirás o poema da partida. se disseres chegada guardarei nas mãos todo o tempo de dar. esperei todos os dias pela claridade, mas amanhã de manhã não voltou. e a noite se fez dia e madrugada outra melodia e eu sem nada.

sábado, 20 de março de 2010

PICO




...PICO!

Acordo. Ainda não, ainda não acordei. Deslizo da cama, ponho os pés nus no velho soalho de pinho resinoso e caminho até à janela. Um só olho aberto, que não quero ainda acordar .... Abro os tapa-sóis e...eis, eis o que me faz respirar um novo dia, eis aquela dádiva da natureza - o PICO! Os olhos abrem-se num rompante para saborear um GRANDE AMOR da minha vida – o PICO.
Este cenário gongórico, faz-me sonhar, faz-me sentir que eu, apenas um singelo ser humano, me sinto privilegiada olhando e saboreando todo este luxo. Sim, isto é um luxo!!!

Olho, volto a olhar, deixo-me enebriar pela silhueta majestosa, pelas várias gradações de tons e de luz, as núvens circundando ou acariciando este belo monumento da natureza...

...vou até à varanda...

...ah, mas hoje não há núvens!!! A aurora levanta-se sorrateira por detrás de S. Jorge e a estrela de alva altaneira olha-me sem rodeios. Está frio. Cheira a terra, a faias e a araçá. A passarada já é pouca, mas exuberante na sua cantoria. Recordo este mesmo cenário, 47 anos antes, quando o meu Pai me fez levantar da cama às 5h da madrugada, para ver o maior e mais belo espectáculo da minha vida, que jamais esqueceria. Nessa altura a nossa antiga quinta isolava-nos e a observação da natureza era mais tangível. Tudo era mais puro e excessivo: a natureza revelava-se no seu infinito esplendor...e eu agradeci a Deus me ter feito obediente (a fase da rebeldia fora acaçapada...) para saborear tal maravilha até à exaustão.
Agora olho o PICO como uma dádiva de Deus. Namoro-o. Ele seduz-me. Eu olho-o e ele revela-se. É quase uma troca de olhares...é um enamoramento. Eu sei que ele nunca me trairá. Eu sei que ele está e estará sempre ali, mesmo que não o veja.
E eu quero senti-lo!

Tenho de ir... e vou!
Atravesso o canal. Olho aquele PICO e sinto-o a aproximar-se. Já o respiro. Entranho-me nele, naquele cheiro a maresia misturada com urze e incenso. Caminho sem pensar, alheada de sons e vozes. E gosto de caminhar sòzinha entregue a sensações e emoções que não quero partilhar...aquela pontinha...a do PICO... aquela porta vermelha emoldurada pelas pedras negras cobertas de verde, o verde feérico das vinhas novas dentro de tanto preto... Não me interessam as coisas novas. Não as vejo. Passo sem elas, ou elas passam por mim e nem as vejo... apenas quero respirar as cores e emoções, profundamente, como se o Tempo já não me desse tempo para as ver.
À minha direita, o mar banhando ou salpicando de espuma as raízes negras que brotaram desse mesmo mar e se fizeram ILHA. Aquele mar desliza até que a minha vista
o perca. É imenso este mar. Será mar ou um manto fluido em tons de cinza e azuis? Também tem branco, aquele que congrega todas as cores. As minhas cores...as cores inesquecíveis do universo, aquelas que Deus plantou p’ra nosso deleite.
Chego às Lajes.
O Castelete obriga-me a circundar a vista, a paisagem alcandorada semicerrando a vila. Aqui não é o mar que me chama. Aqui sinto virar-me para norte, à procura de alguma estrela guia que me chama, que me apela a procurá-la. São montes esverdungados que se amontoam e prolongam o olhar. É o cabeço Mariano, é o Moiro, o Escalvado, as Cabecinhas e tantos que não lhes sei o nome. Eles existem ali apenas com o propósito de emoldurar, de preparar o olhar para a grande explosão magmática duma montanha em erecção, da minha montanha-macho, daquela que me entontece, que me derruba, que me faz transbordar a vista e a alma. Ali, nas Lajes, eu sinto a verdadeira grandeza e vigor da MONTANHA do PICO. Ali não é, nem há cenário. Ali é o universo em nós, é a FORÇA em infinito crescendo. Ali há Deus!



Margarida de Bem Madruga