sexta-feira, 19 de março de 2010

Já gastámos as palavras...





Adeus

Eugénio de Andrade


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Parabéns, Isabel, olhos de Montanha!



A Isabel, picarota de S. João, nossa freguesia natal, das Lajes do Pico é jornalista da RTP Açores. Ela é uma sonhadora inveterada. Pior que ela, só eu!!!
Isabel, minha querida, mil beijos de PARABÉNS!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

PARABÉNS, ISABEL FIDALGO!

Hoje, a LIA/IBEL ou ISABEL FIDALGO, faz anos.

Ela veio de mansinho, com "som de véu e veludo" e instalou-se nas nossas vidas...
Ela é a poeta da esquina da minha vida...
Ela é a menina-mulher com alma de filigrana...
Ela chora quando eu choro...
e traz-me alento...
Ela habita na minha alma e veio p'ra sempre!
Ela é MINHA MANA, das poucas que Deus escolheu p'ra mim!!!

e ela faz anos hoje!
PARABÉNS, LIA!!!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Exposição - Porque me olhas assim?







Porque me olhas assim?


“Os olhos amam primeiro
o coração vê depois”
Daniel de Sá

“Porque me olhas assim
No vago do teu olhar
Que é tão grande como o mar
Tão forte como tu em mim”
João Carlos Fraga




Porque me olhas assim? Ah, quanta esperança no brilho do teu olhar...

Porque me olhas assim? Alcandorada no magma da rocha da tua força, latindo um vago sorriso...

Porque me olhas assim? Alquebrada e estóica até ao fim, desconfiadamente agarrando o que resta, o que talvez ainda reste... do conteúdo da tua alegria...

Porque me olhas assim? No sereno do teu olhar, na sobrevivência a tanto sofrimento, no aconchego da tua resignação, abençoa-me!

Porque me olhas assim? Acochada no avaro da tua descoberta, nada queres partilhar.

Porque me olhas assim? Na singeleza da tua nudez apenas te resguardas... olha que a VIDA não é assim!

Porque me olhas assim? Olhos espúrios que me queimam, que afugentam o meu olhar. Não te quero!

Porque me olhas assim? Insidiosamente penetras-me, olhas-me por dentro até a minha alma se derramar em ondas de mar branco...

Porque olhas assim? Já nem olhas, já não vês, apenas desabaste os teus sentidos pelos corredores do universo...e ainda não voltaste!

Porque me olhas assim? O teu sorriso magmático, enigmático, também prazeiroso, também redondo, traz-nos a nostalgia dos TEMPOS sem TEMPO. Sustém-te!

Porque me olhas assim? Melancolia eterna ou efémera?

Porque me olhas assim? ...talvez breve...talvez viajante esse teu olhar...

Porque olhas assim? O que viste, que te perturba?

Porque me olhas assim, com esse ar azul de olho longínquo e olhar pausado e pousado?

Porque me olhas assim, bébé, com esse teu grande olho tão redondo?

Porque me olhas assim? Serenamente navegas ao sabor de carreiras de sonhos emoldurados de canseiras...e és tu!

Ah, já não olhas! O passado levou-te o presente...

Porque me olhas assim? O TEMPO virá.
Porque me olhas assim? ...e o TEMPO veio...

Não me olhes assim!!!
Não me olhes!
Não quero que me olhes assim.
Porque me olhas? Assim...não me olhes
Porque me olhas assim?
Porque me olhas? Assim
Assim, sim!
...olha-me...assim...



Margarida (de Bem) Madruga
Horta, Primavera de 2008

Flores silvestres


segunda-feira, 15 de março de 2010

Querem o meu auto-retrato? Ei-lo, assim, assim... mais ou menos...



(Pedem-me cada coisa!!! Eu nem sei mexer nisto!!!)

Até aos 12 anos fui terrível: rebelde e maria-rapaz. Levei tanta palmada que descobri ser mais fácil fazer o que os meus Pais queriam.
Quis ser pintora. Meu pai não deixou. Fui arquitecta e amei a minha profissão como quem aprende a amar um "marido por conveniência"...
A arquitectura deu-me a sobrevivência económica e, enfim, agora faço o que quero: sou pintora e divirto-me...
Quando era jovem era bem bonita, mas não tinha noção de mim mesma; agora, que perdi a frescura, acho que... Ah, nem sei o que diga!!!

(ehpá, não sei alinhar nada disto!)